Artrite Reumatoide: reflexão sobre dor, deformidades, inflamação de um jovem Reumatologista.
- Mattheus Fernandes

- 16 de set. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 16 de out. de 2025
Dores, dores, e mais dores. Dores logo ao iniciar o dia, por vezes necessidade de chamar alguém para fazer massagens para poder sair da cama. Mãos inchadas, dores que praticamente só melhoram com uma medicação que parece-lhe tirar a juventude dia após dia.

Certa vez já ouvi um antigo professor durante os anos da residência em Reumato comentar que ter artrite reumatoide era como uma sina, uma chaga que a pessoa carregaria para sempre, fadada a sentir dor.
Essa era realmente a realidade da doença por muitos e muitos anos. Por boa parte do século passado, o tratamento consistia basicamente de corticóides e seus inúmeros efeitos adversos e algumas outras substâncias que hoje em dia já pertencem ao Museu da Medicina. Nem preciso comentar mais o quanto tal doença trazia de sofrimento para a pessoa doente e sua família, sendo o surgimento de deformidades quase uma evolução natural do quadro.

Com o passar dos anos, felizmente, tivemos muitos avanços para tratar esta doença que é, na minha opinião pessoal, a doença "razão de existir", a prototípica, da Reumatologia. É para a reumato o que a diabetes é para o endócrino e o que a hipertensão é para o cardiologista. Suas muitas e sistêmicas manifestações clínicas foram alguns dos motivos para determinar meu envolvimento com a reumatologia.
Hoje, temos o privilégio de poder contar, tanto no público quanto na saúde complementar, com diversas medicações que foram verdadeiras revoluções no tratamento da artrite. Sejam elas orais ou injetáveis, hoje, se bem conduzida, já não esperamos essa evolução para deformidades, nem muito menos a tal da sina comentada acima, salvo raras exceções. Mais ainda, o próprio exame físico desta doença vem sendo revolucionado com o uso do ultrassom articular durante a consulta, ferramenta que ajuda bastante na decisão sobre atividade x remissão.
Ainda assim, pode-se ver muito o 'dedo' da individualidade de cada médico na condução da doença: na escolha da melhor medicação, na que mais se encaixa no estilo de vida da pessoa doente, adequando expectativas com possibilidades e aspectos pessoais do(a) paciente. Isso é o que eu considero o 'algo a mais', o 'ponto extra', que faz toda a diferença na vida do(a) paciente.
Assim, tratar Artrite Reumatoide não é uma receita de bolo, exige muita sensibilidade, ponderação, uso do bom e velho toque na mão do paciente e também de tecnologias como o ultrassom. Melhorou muito, mas ainda falta uma articulação 'teimosa'? Ainda temos o recurso da infiltração, também muito ajudada pelo uso do ultrassom.
Ter artrite reumatoide não é mais a sina de antigamente. Você pode e deve viver praticamente livre de dores, com pouco ou nenhum corticoide. Com consciência de se tratar de uma doença crônica, que exige seguimento com um reumatologista por tempo indeterminado, juntos podemos nocautear essa doença e reconstruir sua vida livre das dores.



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