Fragilidade Óssea: osteopenia e osteoporose
- Mattheus Fernandes

- 16 de set. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 16 de out. de 2025
De todos os problemas de saúde pública, tenho a impressão de que a população é bem consciente de Hipertensão, Diabetes, Colesterol Alto, algumas doenças de mama ou de próstata. Porém sinto que a saúde óssea é algo que frequentemente passa despercebida nas 'rotinas de Check Up'. Em resumo, parece que ninguém liga para o osso.

Só para ilustrar o problema, ocorrem cerca de 9 milhões de fraturas ósseas por fragilidade (aquelas que ocorrem numa simples queda de própria altura, que não deveria fraturar ninguém) no mundo, em cerca de 500 milhões de pessoas com osteoporose. As fraturas por fragilidade óssea ocorrem em 1 a cada 3 mulheres e em 1 a cada 5 homens com mais de 50 anos.
Mas, entre pessoas que tenho contato (colegas reumatologistas, endocrinologistas e muitos ginecologistas), a maioria está ciente do problema, rastreiam e tratam. Então, de onde vem esta minha impressão?
Existe um famoso estudo que acompanhou 96.887 pacientes que passaram por cirurgia de quadril após fratura osteoporótica. Ou seja, a pessoa acabou de sofrer a complicação mais grave do problema, foi admitida em um hospital para tratar a complicação, e, destes, apenas 28,5% receberam nos próximos 12 meses algum tipo de tratamento específico para osteoporose (a causa raiz da fratura).

Em outras palavras, mesmo na situação em que o grau de alerta para o problema e a preocupação em evitar uma nova fratura está no máximo, apenas pouco mais de 1 em cada 4 pessoas tiveram a atenção necessária para a sua fragilidade óssea. Isso porque a fratura de quadril costuma ser um evento dramático para o paciente e sua família, com repercussões em cadeia que vão além da esfera médica da pessoa doente.
Então, da mesma forma que a sociedade se empenha em fazer conscientização de câncer de mama, próstata, sobre os malefícios da hipertensão e do diabetes mal controlados ao longo dos anos, deveria ter a mesma preocupação com a fragilidade óssea.
Também é uma doença silenciosa e que não doi; também muitas vezes já dá como primeiro sintoma uma complicação grave (a fratura); também tem métodos eficazes de rastreio e diagnóstico precoces; também consegue ser prevenida ou postergada com um bom controle clínico; e também pode ser controlada para evitar sua progressão e que um segundo evento ocorra novamente.
Este é o grande objetivo do médico no seguimento da fragilidade óssea: que uma fratura osteoporótica nunca ocorra, ou, se ocorrer, que seja a única da sua vida.
Ou seja, a osteoporose preenche todos os critérios de doença que se beneficia muito de rastreio e tratamento precoces na sociedade e não deve ser subestimada.
E você, sabia de tudo isso? Após a menopausa, já realizou alguma densitometria óssea? Como anda sua ingestão de cálcio e vitamina D? Seu ambiente é controlado para minimizar risco de quedas? Sua saúde e força muscular estão em dia para um bom equilíbrio? Seu caminhar é estável ou instável? O uso dos auxiliares de marcha está correto? Veja só quantas facetas uma boa consulta de fragilidade óssea engloba.
O médico reumatologista é um dos profissionais capacitados para manejar esta condição e pode ser o diferencial para conseguir um envelhecimento funcional, independente e autônomo.




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